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Uma viagem pelo universo ibero-americano ao longo de 2017

Por onde começar esta viagem pelo universo ibero-americano que vai durar todo este ano de 2017?

Haveria tantos princípios possíveis, tantos quantos os pontos de vista, tantos quantas as múltiplas narrativas construídas e em construção. Claro, que nem todas podem ter a mesma validade, porque como se diz em lógica há valores de verdade que determinam quando um argumento está correcto e é convincente.

Este começo, de qualquer modo, terá de ser anterior ao mapa ibero-americano, uma cartografia heterogénea, diversa, contraditória que só existe por convenção entre países que se designaram a eles próprios como pertencentes a esta cartografia cuja matriz seria ibérica. Estamos portanto a falar de uma origem em Portugal e Espanha, e onde as línguas portuguesa e espanhola seriam o sustentáculo desta reunião de países. Mais correctamente deve dizer-se que nos estamos a referir quer às marcas da expansão colonial, quer aos actuais entendimentos com mínimos denominadores comuns entre esses países.

Aceitemos no entanto que esta designação ibero-americana é recente e que a heterogeneidade é uma constante deste universo.

Por onde começar? pois, pode ser pela primeira estrofe de "A formação do céu e da terra", a cosmogonia dos índios da tribo Marube numa versão recolhida e traduzida por Pedro de Niemeyer Cesarino[1].

Vento de lírio-névoa
O vento envolvido
Ao vento de rapé-névoa

Há tempos flutua
Vento de lírio-névoa
Vai se revolvendo
E Koi Voã surge

[1] In Pedro de Niemeyer Cesarino, “Quando a terra deixou de falar”, Editora 34, S.Paulo, 2013