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Lisboa e conexões

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O início da festa e do diálogo



Com este encontro iniciou-se uma outra história que teve o mérito de produzir novas geografias, novos conhecimentos, desenvolveu a ciência e as artes e alterou as dietas alimentares dos dois lados do Atlântico. Mas esta, que foi a primeira globalização de uma Europa humanista, teve também os efeitos negativos de ter acabado com a civilização pré-colombiana e ter dado início a um colonialismo que durou séculos. Nesta exposição pudemos ver a expressão visual desta tensão tão problemática quanto positiva.

No domingo à noite no Teatro Municipal de São Luiz assistimos a um concerto de três cantoras: Gisela João, Yomira John e Mariela Condo e seus músicos de origens geográficas tão diversas mas cujo talento e qualidades musicais são notáveis.

E chamemos a atenção para a instalação de Pedro Valdez Cardoso que tem uma obra ligada aos confrontos culturais como se pode confirmar no Jardim de Inverno. E do mesmo modo que a exposição de Demián Flores é uma mostra da primeira globalização cujos protagonistas foram os portugueses e os espanhóis, na noite de domingo assistimos à prova viva da segunda globalização iniciada na década de setenta do século passado e de que somos tanto protagonistas quanto receptores.

Para além daquilo que cremos ser uma programação activa, diversificada, transdisciplinar, com espaço para a reflexão e para a crítica temos também a expectativa de que ela possa ser, por um lado, uma plataforma de conhecimentos e, por outro lado, que esta Lisboa Capital Ibero-americana de Cultura não se encerre apenas na componente festiva e programática e que permita um diálogo permanente com o mundo actual transregional; E assim que, de cada vez que assistamos a uma actividade da “questão indígena” pensemos que o pensamento mágico e o conhecimento ancestral têm também lugar no mundo do conhecimento actual e dos direitos universais de cidadania, de cada vez que participemos em programas sobre “afro-descendentes” tenhamos a capacidade de olhar para uma Europa e uma América necessariamente Multiculturais, de cada vez que falemos de “Migrações” tenhamos em mente a forma como migrantes e exilados de um lado e do outro do Atlântico foram acolhidos, pelos países de ambos os lados,  em momentos de desespero e, de como isso deve ser um exemplo quando tantos se opõem ao acolhimento de refugiados hoje em dia e, finalmente, que das muitas questões e obras que debatamos e recebamos, não nos esqueçamos qual o lugar e o impacto que a beleza ainda pode ter no mundo contemporâneo.